Após todos terem entregue seus pertences, deram lhes um saco de lona verde, onde colocariam todo o material que daquele dia em diante, fariam parte de suas vidas, foram fornecidos inclusive todos os materiais higiênicos como: fio dental, sabonetes, pasta de dentes, cuecas, agulha e linha, toalhas, etc...
Os novos recrutas formaram uma fila indiana e todos pelados, com suor escorrendo pelo corpo exalando um cheiro horrível com cabelos grudados em suas peles eles passavam pela guarnição do quartel e observavam os soldados antigos os encarar de cara feia, colocando os materiais dentro do saco de lona, como se estivessem lhes agredindo.
Pelados e agora calçados apenas com chinelos de dedo lhes foram ordenado que assumissem a formatura. Todos devidamente formados foram conduzidos nus até a frente do alojamento, onde tiveram mais uma etapa de senta e levanta, castigos e gritarias. Parecia que estavam no inferno.
De quatro em quatro recrutas, eram conduzidos para tomar banho, ao chegarem ao banheiro tinham que fazer exercícios sob o comando de um instrutor, que ficava na porta. Já exaustos não viam à hora de se deliciarem naquela água maravilhosa, mas deviam seguir os apitos do instrutor também neste momento.
Ficava um sargento com apito na mão e o cabo auxiliava para ensinar como deviam proceder. Um apito e deveriam ficar de frente para o chuveiro, apito colocavam a mão no registro, apito molhavam-se, apito fechavam o chuveiro e começavam a se ensaboarem, apito paravam de se ensaboar e colocavam a mão no registro novamente, apito retiravam o sabão do corpo, apito deveriam fechar o chuveiro, apito novamente começavam a se enxugar, apito e assumiriam a posição de sentido e em seguida deviam marchar até o pátio, onde estavam seus companheiros, ainda ralando enquanto esperavam a vez de entrar no banho.
Aquele foi um dos melhores banhos da vida daqueles recrutas, embora tenham durado no máximo, uns quatro minutos. O mau cheiro do pessoal que estava ao lado, pois ainda não haviam tomado banho, era de fazer qualquer um passar mal e quando o ultimo recruta saiu do banho e se juntou aos demais, o sargento determinou que colocassem o short, a camiseta, o gorro (boné) e um tênis.
Estavam pensando que devido ao horário, iriam para o alojamento e então pudessem descansar, mas o sargento ordenou:
- Já que todos estão de banho tomado, cheirosinhos e prontos para entrar no alojamento eu vou resolver um pequeno negócio no PC (posto de comando, ficava anexo ao alojamento) e vocês permaneçam na posição de descansar.
Ao voltar do PC o sargento olhou para o pelotão e com calma pediu:
- O recruta que se mexeu na formatura, sai e paga dez flexões de braço. - Mas ninguém o atendeu e ele disse:
- Vou repetir! O recruta que se mexeu na formatura, durante o tempo que eu estive lá dentro do PC, sai de formatura e paga vinte flexões de braço! - Agora mais irritado.
- Se o bobinho não se apresentar logo, vai ser pior, pois eu vi lá de dentro, quem se mexeu, e se ele não sair da formatura agora, eu vou acusar o bobinho e ele vai se arrepender de Ter nascido.
Logo surtiu efeito, um recruta tomou a posição de sentido, pediu permissão para sair de formatura e executar os exercícios, com isso o sargento autorizou e alertou:
- Vou autorizar, por que você foi honesto em Ter se apresentado, de livre e espontânea vontade, mas quem eu vi se mexendo não se apresentou.
Diante de tal afirmativa, logo se apresentaram diversos recrutas e novamente o sargento alegou, que o bobinho não estava entre eles. Então um por um foi saindo da formatura e executando o exercício determinado. Mesmo assim o sargento não ficou satisfeito, dizendo:
- Pelo visto eu estou diante de um pelotão, lesador, quer dizer que eu não posso me ausentar por alguns minutos e todos resolvem se mexer?
- Vocês agora vão aprender a não me desobedecer!
- Pelotão!
- Frente pra direita!
- Pelotão!
- Correndo! – E todos começaram a correr.
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