quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A Corrida

Ao começarem a corrida, logo o sargento determinou que parassem, e aborrecido se dirigiu ao pelotão.
- Por que vocês não começaram a cantar?
- No Centro de Recrutas, vocês só poderão se movimentar, marchando ou correndo.
- E sempre deverão marchar ou correr, cantando ou contando.
- Entendido! - E todos responderam.
- Entendido, sim senhor!
Assim começou a primeira corrida do pelotão e o sargento ordenou que acertassem o passo e batessem palmas somente quando o pé esquerdo fosse ao chão. Ficou muito bom e então ele começou a cantar e todos repetiam sua canção.
- A êêê, Aê êA, o quarto pel., Ah ele bota pra quebrar!
- Em matéria de instrução, quarto pel. é o primeiro!
- Lá de cima no avião, vê o rio de janeiro!
Cantavam com a maior alegria, sem saber o que os esperava. Chegaram então a um desfiladeiro, onde havia uma plantação enorme de capim navalha e com o terreno totalmente irregular. O sargento ordenou que ao apitar todos deveriam descer o desfiladeiro o mais rápido que pudessem e após novo apito voltassem da mesma maneira, ainda alertou que o último a chegar teria castigo extra.
Dito e feito, ao soar o apito, todos desceram rapidamente o desfiladeiro, e claro que uns tropeçavam nos outros, causando alguns tombos e ao soar novamente o apito, retornaram com dificuldade, pois estavam exaustos, devido aos exercícios efetuados durante todo o dia. Ao retornarem, alguns estavam com seus corpos lanhados e outros haviam esfolados seus joelhos e cotovelos ao caírem.
Após vários exercícios retornaram então à frente do alojamento, e enquanto alguns entravam para aprender a arrumar o armário os demais deveriam ficar na posição de descansar aguardando a sua vez, mas é claro que desta vez ninguém se mexeu e quando um tentava puxar conversa, o outro o repreendia. Ficaram naquela posição incômoda por vários minutos, sem se movimentarem, com seus corpos suados e suas feridas ardendo.

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